Pelé revê carreira no Santos e revela que queria ter jogado com Romário
Pelé: símbolo maior dos 100 anos do Santos (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Pouca gente passou tanto tempo no Santos quanto ele. E ninguém, mais do que ele, deu tantas alegrias ao torcedor alvinegro. Seu nome se confunde com o próprio conceito do jogo. São títulos, recordes, marcas, feitos, histórias. Muitas delas, lendárias, que beiram o sobrenatural. É o maior jogador de futebol da história, o Atleta do Século. Símbolo do esporte mais adorado do planeta. E, por sorte do Santos, ele nasceu, viveu e se tornou mito vestindo a camisa branca: Pelé.
Foram 18 anos de Peixe, entre 1956 e 74, com 21 títulos importantes, 1.116 partidas, 1.091 gols. Na véspera do centenário do Peixe, Pelé fala sobre orgulho de ter defendido e transformado o clube em potência. Relembra passagens marcantes, os títulos, as viagens, as alegrias, decepções e faz uma revelação: gostaria de ter formado dupla de ataque com Romário.
A seguir, Sua Majestade, o Rei do Futebol, em suas próprias palavras.
A SANTISTA
“Deus me orientou a vir para o Santos, então sem dúvida nenhuma é uma relação de amor. Conquistei coisas tão maravilhosas que, talvez, nenhum curso em universidade me daria. O Santos foi a minha escola: viajando o mundo, conhecendo os lugares, pessoas. “
O INÍCIO
“Um dos jogos mais importantes da minha vida foi o primeiro que fiz pelo Santos. Eu já treinava com o time principal. Na época, a grande estrela do time era o Vasconcelos. Ele se machucou e eu fui da reserva para o campo em um jogo amistoso, contra o Corinthians de Santo André. Fiz um gol e, a partir daí, peguei confiança.”
O JOGO
“Foi o jogo que deu o (primeiro) campeonato mundial para o Santos (1962). Para mim, foi a melhor partida que eu joguei. Chegamos a Portugal e o Benfica já estava vendendo ingressos para o terceiro jogo da final (o Santos havia vencido o primeiro jogo, no Rio, por 3 a 2, e só haveria um outro confronto se os portugueses vencessem o segundo, em Lisboa). Só que eles nem haviam nos vencido. Na época, a grande estrela do Benfica era o Eusébio., que sempre disputava com Pelé. Havia comparações. Mas vencemos (por 5 a 2).”
AS VIAGENS
“É difícil citar todas as coisas pelas quais passamos nas viagens. Poucas pessoas lá fora conheciam o Brasil. Chegávamos à África, por exemplo, e as pessoas não sabiam o que era o Brasil. Eram lugares muito pobres. Muitas vezes, o avião ia aterrisar e o comandante tinha de arremeter porque animais passvam pela pista. Tinha jogador do Santos que ficava com medo, queria ir embora. Mas descíamos e jogávamos”.
SANTOSMANIA
“As pessoas ficavam tão alucinadas com o Santos que invadiam o campo depois do jogo. Eu tinha de sair correndo rápido para o vestiário, pois queriam tirar a camisa. Naquela época, não existia a facilidade da indústria do tecido como hoje, não podíamos trocar camisa. Às vezes, o presidente do Santos, o deputado Athiê (Jorge Cury) dizia: “Quem trocar camisa vai ter que pagar depois, porque nós só trouxemos três jogos”.
O GOL
“Meu gol mais importante foi o milésimo. O mundo todo estava esperando, nunca ninguém havia alcançado um feito igual. Chamou a atenção de todo mundo”.
CHORÃO
“Eu me emociono sempre, sou um chorão. Às vezes, eu vou à Vila com o Edinho e ele fala: ‘Pai, vamos, mas não vai chorar na minha frente’. Ele já sai avisando porque eu sou emotivo mesmo. (A Vila) me traz muita alegria. De vez em quando, passo lá e vejo a sala de troféus . Eu vejo o Pelezinho. De vez em quando dá uma dor no coração danada. Mas é sempre para o lado bom. É sempre um choro, um aperto no coração, mas de alegria. Isso é bom.”
OS HERÓIS
“Tive alguns encontros marcantes. Por sermos católicos, fui abençoado pelos últimos três papas e isso é uma coisa maravilhosa, me emociona muito. Também houve o encontro com o Mandela. É uma pessoa que sempre me deixou impressionado e, ao mesmo tempo, envergonhado. Nós estávamos fazendo uma campanha da ONU e eu era embaixador antes da Copa do Mundo na África. Fui até lá e fui recebido pelo Mandela. Ele dizia que adora o Brasil, que somos irmãos. Então, me perguntou: ‘Por que no Brasil tem tanta pobreza, tem tanta corrupção se vocês falam só um idioma? Se vocês podem se comunicar, por que não há uma harmonia no Brasil?’. Isso me chocou. Foi um dos grandes ídolos que eu conheci.”
OS PEIXES
“Tem vários jogadores que eu admirava muito e com quem gostaria de ter jogado no Santos. Tem um, que vendido muito cedo, o Chinezinho, que foi do Palmeiras para o México (anos 60). Outro, é o Dirceu Lopes, que jogou na maravilhosa equipe do Cruzeiro, com Tostão. Outro jogador que, talvez, facilitasse muito para mim é o Romário. O Romário no Santos. Mas aí também seria covardia. Se todos esses jogadores estivessem lá, seria Seleção Brasileira (risos).”
O TORCEDOR
“Olha, eu sou Santos, morro Santos, amo o Santos por toda a minha vida. Mesmo quando fui para o Cosmos para fazer promoção do futebol nos Estados Unidos, eu sentia que era uma continuidade do Santos. Agora, sofrer mesmo, foi quando o Edinho foi goleiro do Santos (entre 1994 e 1996). Havia hora que falava: ‘Meu Deus, será que tudo que eu fiz de mal para os goleiros, vou ter que pagar com o meu filho?’. Porque é duro você estar fora do campo e não poder fazer nada. Você vê seu filho lá no gol e não poder fazer nada. Só pedia a Deus, mas sei que Deus não pode atender a todo mundo. Minha maior tensão, meus maiores sofrimentos, não foram quando eu joguei, e sim quando ia assistir ao Edinho jogar.”
Fonte, G1
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